Fisioterapeutas
- 9 de set. de 2018
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A caçula dos fisioterapeutas Queria mais do que o ABC debochado do pai Mais do que o cartão de estudante da faculdade do irmão Mais do que a dúvida da mãe para a própria filha. Ela queria letras, mas palavra alguma dizia Tamanha a pressão para um ofício Que nada tinha a ver com seus planos e sonhos. Ela queria letras, não só o ABC ignorante do pai O CDE arrogante da mãe E o FGH do irmão futuro orgulho-fisioterapeuta. Ela queria ser orgulho, não com letras isoladas De um alfabeto estúpido, ditado por um pseudo-melhor. Ela queria letras, palavras, semântica, Gramática, prosa, versos, livros Um mundo contido em letras e suas tantas possibilidades. Os olhos não disseram letras Gritaram o desespero: "Ei! Alguém aí me compreende? Além dos livros, das palavras inanimadas Que tanto me aprazem e me distraem Dessa herança que não me cabe herdar?" Ela queria acreditar numa vida possível Em um ofício pouco entendido, talvez, Por quem, mesmo com fisioterapia, Consertando ferrugens por aí todo dia, Continua com os próprios conceitos enferrujados. Dói os ossos da alma E, sem alongar o texto e os conceitos, Torna-se debilitante, um massacre. Fisioterapia clínica funciona: A caseira, goela abaixo da caçula, sufoca. 07 de Fevereiro de 2018



























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